O PARADOXO ESPAÇO-TEMPORAL NA ESCOLA NEOLIBERAL

Autores

  • GABRIELLA GOMES MENA Autor
  • SUELI GUADELUPE DE LIMA MENDONÇA Autor

Palavras-chave:

Teoria Histórico-Cultural; plataformização; trabalho docente

Resumo

Este estudo analisa a relação entre a ausência de espaços físicos adequados para os sujeitos escolares e a reforma do Ensino Médio. A investigação parte das justificativas do legislador na Exposição de Motivos da Lei n.º 13.415/2017, na qual o ensino era caracterizado como extenso,
engessado e obsoleto, com o escopo de flexibilizar o currículo. Essa retórica construiu uma narrativa de colapso institucional nas escolas, justificando a necessidade cogente de desnaturalização desse discurso. A metodologia, de abordagem qualitativa, constituiu-se em pesquisa de campo realizada pela autora ao longo de três estágios supervisionados — em diferentes
escolas da rede pública de Marília — e das atividades da autora como bolsista do Núcleo de Ensino. A imersão permitiu o mapeamento do espaço e entrevistas dialogadas com os partícipes do processo ensino-aprendizagem sobre os impactos da reforma, a plataformização da educação e a relação dos professores e alunos com o ambiente escolar. O arcabouço teórico são o estranhamento de Marx, a acumulação por espoliação de Harvey e a desterritorialização de Haesbaert, articulados
à Teoria Histórico-Cultural. Os resultados revelam que a reforma, sob a retórica da autonomia, reforçou o papel do estudante como objeto do capital, distanciando-o de sua posição de sujeito da atividade de estudo, processo que também desapossou os docentes de seu ofício. Conclui-se que a arquitetura das escolas se alinha ao objetivo real da contrarreforma: a formação de indivíduos para o mundo do trabalho precarizado, flexível e uberizado.

Downloads

Publicado

2026-07-31

Edição

Seção

Textos completos - Teoria Histórico-Cultural e Educação