EDUCAÇÃO E ADOECIMENTO
Palavras-chave:
Adoecimento, EducaçãoResumo
Em 2021 pesquisamos sobre o adoecimento dos docentes de uma universidade pública, a partir da perspectiva da Psicologia Histórico-cultural. Estudamos as Licenças por Afastamento de Saúde, do período de 2005 a 2019, e descrevemos sessões de pesquisa em grupo onde os docentes apontam para os impactos da lógica capitalista e das relações sociais nos afastamentos ao trabalho. Identificamos que esses afastamentos têm estreita relação com fatores sociais, que o adoecimento é uma vivência contraditória e que a universidade é uma instituição impregnada pelo modo de funcionar da sociedade neoliberal. A expansão das universidades, as reformas do estado e da educação, as políticas flexíveis no trabalho e a intensificação do modo de produção capitalista são dimensões que amplificam a mercantilização e privatização na educação, alteram as métricas de produtividade nas universidades, precarizam as práticas docentes e produzem múltiplos adoecimentos. No doutoramento, dando continuidade à pesquisa do adoecimento, estamos verificando, a partir da comparação de dados, se os 15 anos de uma curva ascendente de adoecimento, com destacado aumento nos anos de 2015 a 2019, permanece nos anos 2020 a 2023. Apresentar os afastamentos na pandemia (Covid-19), é mais um passo para compreender o processo saúde-doença e o psiquismo humano diante de crises; considerando às condições concretas da vida dos sujeitos, a sua atividade (trabalho docente) e as relações sociais que lhe conferem sustentação.