ACOMPANHAMENTO DE UMA ALUNA COM DEFICIÊNCIA VISUAL NO ENSINO SUPERIOR: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Acessibilidade no Ensino Superior. Educação Inclusiva. Aluno com Cegueira no Ensino Superior.Resumo
Este relato tem como objetivo narrar e compartilhar as experiências de duas monitoras do Núcleo de Atenção Pedagógica e Inclusão (NAPI) junto a uma discente com cegueira matriculada em curso de ensino superior de uma Universidade do interior do Estado de São Paulo, apresentando estratégias pedagógicas que proporcionem novos olhares sobre a realidade da acessibilidade e inclusão nesse espaço acadêmico. A Constituição Federal de 1988, segundo o artigo 206, estabelece a “igualdade de condições de acesso e de permanência na escola”. Deste modo, pontua-se a necessidade e a importância das instituições de ensino superior proporcionarem processos inclusivos para pessoas com deficiência, gerando grandes desafios que precisam ser enfrentados por parte do corpo docente e discente, exemplo disso são possíveis limitações em suas práticas pedagógicas. Pode-se dizer que a qualidade dessa permanência é favorecida através dos atendimentos pedagógicos desenvolvidos pelo Núcleo de Apoio Pedagógico e Inclusão (NAPI), que tem como objetivo auxiliar o estudante com deficiência por meio de um acompanhamento adequado. O desenvolvimento de atividades de apoio pedagógico em relação a mobilidade e acessibilidade da discente, envolve diversas estratégias, entre as quais destacam-se: - entrevista inicial para o levantamento de especificidades e potencialidades da discente assistida, para entender suas necessidades e auxiliá-la da melhor forma, favorecendo uma boa vivência e apoio durante seu percurso acadêmico; além disso, também são utilizados: - roteiros de observação acerca do desempenho e levantamento das dificuldades da aluna; - análise de relatórios pedagógicos; - reuniões de discussão para avaliar melhores possibilidades a partir dos dados levantados; e, também, - cursos de treinamento para as monitoras que auxiliam na formação e desenvolvimento da tutoria, buscando formas de apoiar a assistida e compartilhar experiências. Os dados analisados até o momento indicam: a falta de acessibilidade da discente à leitura dos textos devido ao formato ilegível pelo DosVox, em algumas situações; a dificuldade de acesso aos espaços da faculdade; a carência de vídeos adequados, com audiodescrição durante as aulas; a falta de descrição verbal dos docentes, em alguns momentos de aula, sobre o conteúdo apresentado durante as atividades em sala; a não disponibilização antecipada dos slides para acompanhamento das aulas, por alguns docentes; a ausência de audiodescrição em imagens. Por fim, é válido ressaltar que, apesar dos desafios durante o processo por uma educação inclusiva e acessível, a permanência dos discentes com deficiência é realidade nos espaços acadêmicos. Dessa forma, destaca-se a necessidade e a importância de esclarecimentos e colaboração entre os envolvidos nos processos educativos que ocorrem no âmbito do ensino superior. Como diria Paulo Freire: “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças, e não com as igualdades.”