TEORIA E PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA UMA EDUCAÇÃO IGUALITÁRIA EM GÊNERO: UMA PROPOSTA DE FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES
Palavras-chave:
Educação Básica; Práticas Pedagógicas; Educação em Gênero; Formação de Professores; Pedagogia Histórico-Crítica;Resumo
A conquista de direitos pelas mulheres teve avanços às custas de árdua luta política, mas ainda
há muito a ser feito para que uma educação igualitária em gênero ocorra nas escolas. A
desinformação que toma conta do meio social com relação ao assunto tem relação com o que
ocorre no ambiente escolar. A partir dessa constatação foi desenvolvida uma pesquisa sobre a
temática no Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Norte do Paraná,
mestrado profissional em Educação Básica, na linha Práticas Docentes para a Educação Básica.
Objetiva-se apresentar a partir do resultado da pesquisa desenvolvida de que forma os preceitos
da Pedagogia Histórico-Crítica podem colaborar na temática da igualdade de gênero na escola
a partir da formação continuada de professores. Além da dissertação foram desenvolvidos um
roteiro e material para implementação de um Grupo Colaborativo de Estudos (GCE) com
professores da rede municipal de uma cidade paranaense. O grupo foi organizado
metodologicamente a partir dos preceitos da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) teoria
educacional brasileira elaborada no final dos anos de 1970 por Dermeval Saviani. Esta teoria
defende um ensino crítico e voltado à formação humana dos sujeitos a partir da transmissãoassimilação do conhecimento científico, artístico e filosófico produzidos pela humanidade. A
oferta do grupo de estudos foi registrada como curso de extensão pela UENP com certificação
aos participantes, e é uma maneira de instrumentalizar o corpo docente para favorecer
discussões mais assertivas e menos preconceituosas ou discriminatórias, munindo-os de
informações científicas para suas práticas em sala de aula. A pesquisa se fundamentou em uma
revisão integrativa de literatura sobre a temática e de um estudo de caso sobre as dificuldades
que uma escola de um município paranaense enfrenta. Ao longo de seis encontros, o grupo,
constituído por docentes, afirmou majoritariamente que não tiveram em sua formação inicial
ou continuada contato com o tema. Seu conhecimento inicial era do senso comum. Após os
encontros, indicaram ser possível caminhar no sentido de construir coletivamente uma
educação igualitária e sob a ótica dos direitos humanos a partir do acesso ao debate acadêmico
sobre a temática. Os encontros focaram na problematização desse conhecimento científico em
relação com a Prática Social a fim de combater visões discriminatórias difundidas amplamente
no contexto atual em relação às mulheres, sobretudo no que se refere à misoginia e violência
dos mais variados tipos. Conclui-se que a partir da capacitação teórico-prática dos professores
em uma perspectiva emancipadora e com foco no conhecimento científico sobre o tema é
possível realizar o enfrentamento às visões negacionistas que têm se difundido e caminhar na
construção coletiva de uma educação escolar pautada no respeito às diferenças e libertadora.
