ITINERÁRIOS FORMATIVOS E O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO CONTEXTO DO NOVO ENSINO MÉDIO
Palavras-chave:
Itinerários formativos; Ensino médio; Currículo; Sociologia da educação; Ensino de Sociologia.Resumo
Sofrendo uma drástica redução de sua carga horária, a disciplina de Sociologia, que por meio da inserção do Novo Ensino Médio foi retirada dos primeiros e dos terceiros anos, e, assim como outras disciplinas, vem sendo paulatinamente substituída por disciplinas dos itinerários formativos provenientes da (contra)reforma do ensino médio nacional. Nesse sentido, por meio da análise sociológica de tais itinerários formativos e do atual currículo paulista do novo ensino médio, esta pesquisa, buscou, entre outras coisas, compreender quais as implicações dessa nova estrutura curricular no que tange ao oferecimento da disciplina e dos conteúdos próprios da Sociologia no ensino público brasileiro, observando variáveis como as alterações na carga horária e no trato pedagógico dos conteúdos históricos da disciplina, buscando compreender também a relação dos próprios estudantes com o Novo Ensino Médio e seus novos conteúdos. Para tanto, partiu-se da pesquisa e da observação empírica da realidade escolar concreta de três escolas públicas estaduais localizadas em diferentes zonas da cidade de Marília/SP, com idas à campo que se deram por meio das atividades dos estágios obrigatórios da Licenciatura em Ciências Sociais, conjuntamente com as atividades desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/Ciências Sociais, entre 2022 e 2024. Ademais, além das observações participantes, foram elaborados, durante as atividades dos estágios e do PIBID, cadernos de campos com descrições detalhadas das diferentes realidades escolares, bem como uma análise minuciosa dos conteúdos dos slides do currículo paulista, enviados pelas Secretarias de Educação do Estado de São Paulo e que atualmente são de uso obrigatório no trabalho docente. Além disso, buscou-se também, nessa reflexão sobre a relação entre o Novo Ensino Médio e o ensino de Sociologia, associar, dialeticamente, as questões singulares de cada escola analisada, para com as questões mais amplas da educação pública nacional, buscando refletir sobre as implicações e correlações das transformações decorrentes da (contra)reforma do ensino médio e do atual currículo paulista nos ambientes escolares, especialmente no que tange à estrutura curricular e a oferta de Sociologia, aliando tal investigação à dimensão do significado social da instituição escolar, que, em alguma medida, provém também da própria estrutura curricular. Os resultados desta investigação apontam para uma compreensão de que a implementação desse modelo de currículo incide em um ataque à autonomia e garantia de uma oferta satisfatória de Sociologia no ambiente escolar, operando um esvaziamento de seus conteúdos científicos historicamente produzidos. Esvaziamento esse que se materializa, na substituição da Sociologia por disciplinas como por exemplo: “oratória”, “liderança”, “educação financeira, entre outras. Desta forma, conclui-se que a atual (contra)reforma do ensino médio, através do empobrecimento dos conteúdos curriculares, em especial, neste caso, da Sociologia, aprofunda uma degeneração do significado social da escola, particularmente no que tange a sua função de transmissão do conhecimento historicamente produzido e acumulado, contribuindo, em última instância, para aprofundar a crise de sentidos e significado que atravessa a instituição escolar, especialmente no que tange as demandas e necessidades contemporâneas da juventude brasileira.
