A CADA MUDANÇA UMA SUPRESSÃO

Autores

  • CLÁUDIA ELAINE CATENA Autor
  • JOSÉ CARLOS MIGUEL Autor

Palavras-chave:

Educação. Educação matemática. Ensino Fundamental. Proporcionalidade. Projeto EMAI.

Resumo

O presente trabalho objetiva, mediante pesquisa bibliográfica e documental, abordar como o
trabalho com Proporcionalidade é proposto no Projeto EMAI (Educação Matemática nos Anos
Iniciais do Ensino Fundamental) e verificar se o mesmo favorece o desenvolvimento do
conceito, devido às mudanças sofridas. O embasamento teórico se situou no contexto da Teoria
Histórico-Cultural de Vygotsky e colaboradores. O método escolhido para analisar os dados
localizados é o materialismo histórico-dialético. Os resultados parciais indicam que o material
destinado aos alunos, se limitam ao campo do conhecimento empírico uma vez que a
abordagem inicial desse material sobre o conceito de proporcionalidade se resume à
apresentação de atividades. Já no material destinado aos professores são apresentadas algumas
sugestões de encaminhamento das atividades propostas, que podem favorecer o
desenvolvimento do conceito proporcionalidade, se forem organizadas de maneira que levem
os alunos a atribuir sentido aquilo que estão aprendendo. Com a reformulação do Ensino
Fundamental e o ingresso de crianças a partir dos seis anos de idade no primeiro ano escolar e
com a divulgação pública dos resultados de avaliações em larga escala, o governo federal sentiu
a necessidade de definir o que se espera da escola nos anos iniciais e através do Ministério da
Educação e Cultura (MEC), organizou ações para melhoria da aprendizagem e da qualidade do
ensino, principalmente nas escolas públicas. Com o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade
Certa (PNAIC), programa lançado pelo MEC em 2012, a alfabetização foi compreendida na
perspectiva do letramento, que valoriza o saber dos estudantes, os ajudando a compreender os
modos como a sociedade organiza suas experiências com o auxílio da Matemática, promovendo
compreensão e leitura de mundo, além da formação continuada de professores. Após o golpe
que tirou a presidente Dilma Rousseff do poder, o país assistiu a uma descontinuidade de um
projeto nacional que vinha obtendo resultados. Com a nova equipe do Ministério composta por
especialistas convidados e por representantes de grupos empresariais, a BNCC é homologada
de maneira aligeirada, ocasionando uma mudança na área da Matemática com relação aos
campos abordados, que passam a ser cinco: Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e
Probabilidade. Embora havendo comprometimento com o letramento matemático, o reduz a um
processo para o desenvolvimento de competências. A BNCC reconhece a Proporcionalidade
como parte do conjunto de ideias fundamentais que produzem articulações entre si e sua
importância para o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos. Em 2019 a
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, homologa o Currículo Paulista, conforme
proposto pela BNCC, agrupando as habilidades a serem desenvolvidas ao longo do Ensino
Fundamental em cinco unidades temáticas: Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e
Medidas, Probabilidade e Estatística, estas, reúnem um conjunto de ideias fundamentais, como
Equivalência, Ordem, Aproximação, Variação, Interdependência, Representação e
Proporcionalidade. Os materiais do Projeto EMAI, passam por reformulação e apesar dos
esforços, perdem sua essência, desde sua forma impressa, até seu conteúdo, que aparece de
maneira mais enxuta, provocando um esvaziamento e acarretando numa ruptura de currículo
em rede, retrocedendo para uma proposta de currículo linear.

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Publicado

2026-04-27

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