A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE GESTÃO DEMOCRÁTICA (1980-1990)
Palavras-chave:
Administração escolar; Gestão democrática; Discurso.Resumo
A presente pesquisa teve por objetivo geral analisar as práticas discursivas sobre gestão escolar democrática no Brasil, nas décadas de 1980-1990, partindo de constatações teóricas de pesquisa maior que buscou analisar os rumos da teoria crítica na área da Administração escolar após o chamado período crítico, dos anos 1980, cuja configuração teórica passou a se basear na teoria marxista. No âmbito desta pesquisa maior constatou-se a dificuldade de a teoria se constituir de modo não prescritivo, pois os estudos adotaram uma posição de dizer as escolas o que elas deveriam ou não fazer, deste modo, uma outra pesquisa de iniciação científica analisou as relações macro e micro em pesquisas sobre gestão democrática no Brasil e pôde confirmar que os textos legais e/ou teóricos estabeleciam uma relação causal com as escolas analisadas, de modo a propor um receituário de boas práticas para as unidades escolares sobre gestão democrática. Este percurso de análise da produção do conhecimento na área na Administração escolar, possibilitou enunciar o problema da presente pesquisa: quais são as práticas discursivas que compõem o discurso sobre gestão democrática no Brasil? O objetivo foi o de analisar estas práticas discursivas a partir da compreensão de discurso como rede de significações construídas a partir de determinadas práticas teóricas os quais seriam possíveis de se analisar a partir da compreensão da teoria do discurso de Michel Foucault pois, com este autor, compreendemos que um discurso põe em funcionamento certas práticas discursivas que se impõe a todos aqueles que falam a partir de uma área do conhecimento, no nosso caso, da Administração escolar. Assim, reuniu-se livros sobre gestão democrática no Brasil nos anos 1980-1990, para compreender os modos de produção, apropriação e circulação dos discursos sobre este tema. Constatou-se que existe um regime de verdade nesta área de produção do conhecimento cujas regras de formação formam a subjetividade do pesquisador ditam-lhe os modos de fazer pesquisa que, conforme estudos anteriores, tem se mostrado uma produção teórica prescritiva. Concluímos pela necessidade de buscar outros referenciais teórico-metodológicos com vistas a propor outros problemas de pesquisa que fujam ao esquema de assumir uma posição de ditar as escolas o que elas devam fazer.
