(FOTO)ESCAVAR O COTIDIANO ESCOLAR: PALAVRAS PARA MULTIDÃO
Palavras-chave:
Arte - Estudo e ensino; Arte na educação; Fotografia na educação; Processos de criação; Cotidiano escolar.Resumo
Este trabalho é o resultado da Dissertação de Mestrado defendida neste ano no Programa de Pós-Graduação em Artes (PROFArtes), área de concentração em Ensino de Artes do Instituto de Artes da UNESP. Tem o objetivo de compartilhar uma experiência estética/estésica na aula de Arte de uma escola pública do município de Campinas/SP com estudantes de 9º ano do Ensino Fundamental, por meio da fotografia como possibilidade para pensar e recriar o cotidiano, a partir de ações como olhar, caminhar, habitar, reinventar, escavar, costurar, grafar, arriscar e contaminar como indicativos para a produção de imagens e escritas propositivas. Ao mesmo tempo, a pesquisa também se desdobra e investiga os percursos de viagem da pesquisadora ao longo de sua carreira docente, na relação com a poesia e com a fotografia, na qual os escritos sobre as imagens também se revelam como textos imagéticos à medida que a descrição também fornece elementos para a elaboração de outros cenários de experimentação da imagem e da palavra no campo expandido em processo. Portanto, o presente trabalho pretende contribuir para o Ensino de Arte na escola pública, a partir da aposta entre imagens e palavras como materialidades para se produzir, criar, inventar e potencializar os processos de criação dos estudantes, por meio da caminhada como forma de ocupar os (entre)lugares do corpo na escola. Que corporalidades residem na fotografia e que nos permitem mergulhar na intensidade e na relação dos corpos e das imagens na cena contemporânea? Trata-se de atravessar o tempo e o espaço e perceber as corporalidades que transitam e reverberam por entre imagens. As foto(corporalidades) nos trazem vários elementos para pensar o gesto nas multidões, o cotidiano, o que é compartilhado, de travessias comuns que nos afetam de um modo ou de outro. Qual gesto encena o silêncio e os ruídos que nos convocam a olhar as imagens? Que corporalidade reside na silhueta? O pisar no chão risca na superfície porosa a realidade de quem está sozinha numa cidade desconhecida. O corpo é solidão em rito de passagem, ao mesmo tempo em que se conecta com o mundo e abrem novas perspectivas em linhas de fuga. Ao tecer os entrelugares da performance, atravessamos os corpos em foto(corporalidades): que travessias queremos habitar? O gesto do performer-fotógrafo se mostra na imagem e acontece como o deslocar de um corpo que percebe o acontecimento para uma ação de intervenção diante da imagem. Os corpos atravessam as imagens, habitam as memórias, residem em histórias, emocionam e provocam tensionamentos. O que pode um performer-fotógrafo construir na cena cotidiana? E um corpo flutuante atuando no campo expandido da cena contemporânea? Quais são os entrelugares do corpo e que travessias queremos habitar? É preciso parar. É preciso repousar e... respirar e, então, continuar.
