PERCEPÇÕES SOBRE POSSIBILIDADES DE FORMAÇÃO EM GÊNERO E SEXUALIDADES DE GRADUANDOS(AS) EM PEDAGOGIA EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA PAULISTA
Palavras-chave:
Gênero e sexualidade; Formação docente; Pedagogia; Transversalidade; Disciplinaridade.Resumo
São abordados resultados parciais de uma pesquisa que foi financiada pela Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Consideramos que a expansão das
iniciativas de formação de professores(as) sobre os temas gênero e sexualidades é uma realidade
vivenciada no país fortemente nas duas últimas décadas. Das iniciativas para a oferta desse tipo
de formação, enfocamos aquelas que atingem os cursos de licenciaturas, em especial a
Pedagogia. Na maioria das vezes, isso se dá a partir da inclusão de uma disciplina específica
sobre gênero, sexualidades e temas relacionados na matriz curricular desses cursos, como uma
disciplina optativa ou obrigatória, ainda que em parte também se considere a inclusão da
transversalidade dos temas. Diante disso, tivemos como objetivo analisar a percepção de
graduandos(as) em Pedagogia de uma Universidade pública paulista sobre as possibilidades de
formação em gênero e sexualidades no seu curso. O curso de graduação escolhido dispunha de
uma disciplina específica sobre os dois temas na sua matriz comum curricular, com carga
horária semelhante às demais disciplinas. Compuseram a amostra participante 105
graduandos(as) (N=105), matriculados(as) nos quatro anos desse curso. A metodologia
consistiu na aplicação de um questionário composto por perguntas sobre se, quando e como os
temas gênero e sexualidades foram abordados. As respostas foram analisadas com base na
estatística descritiva e na literatura feminista consultada sobre gênero e sexualidades. Recorreuse, também, à análise do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e matriz curricular do curso. Os
resultados demonstram que embora os temas estejam aparentemente incluídos como parte de
seu conteúdo curricular programático, eles se restringem à disciplina específica que o curso
dispõe para sua abordagem. Pareceu-nos que apesar do curso oferecer possibilidades para a
formação em questão, inclusive em atividades semi e extracurriculares, a maioria dos(as)
graduandos(as) parece desconhecê-las, de modo que sua concretização depende da iniciativa e
interesse dos(as) graduandos(as), cabendo a eles(as) procurá-la para além da disciplina
específica. Aponta-se para uma abordagem desses temas no curso de forma mista, disciplinar e
transversal, e em atividades curriculares, semicurriculares e extracurriculares.
