INGRESSO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO E O IMPACTO NO DESEMPENHO DOS PAPÉIS OCUPACIONAIS
Palavras-chave:
Trabalho e Educação; Educação Especial; Deficiência; Lei de Cotas; Mercado de Trabalho.Resumo
A inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho precisa ser fortemente discutida
no âmbito da educação especial, pois a formação acadêmica adequada pode favorecer o
acesso a oportunidades. O trabalho para a pessoa com deficiência ultrapassa a questão
financeira, podendo ser compreendido como um fator para o desenvolvimento humano. Neste
sentido, o objetivo da pesquisa foi analisar o impacto do trabalho na vida da pessoa com
deficiência comparando os papéis ocupacionais, antes da inserção no emprego e após pelo
menos três meses de experiência. O estudo foi submetido ao comitê de ética em Pesquisa da
Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, Campus Marília/SP, com parecer favorável nº
4.946.344 e CAEE nº 50775721.0.0000.5406. A proposta tem natureza descritiva com
abordagem qualitativa. Participaram da pesquisa onze pessoas com deficiência recém
ingressantes no emprego. A coleta de dados ocorreu em duas etapas, a primeira foi antes do
participante iniciar no trabalho ou no primeiro mês, e a segunda etapa foi após pelo menos
três meses da inserção. Para tanto na coleta de dados optou-se pelo uso da entrevista
estruturada para a caracterização dos participantes que foi elaborada pelos pesquisadores e a
Lista de Identificação dos Papéis Ocupacionais (LIPO) adaptada e validada para utilização no
Brasil por Cordeiro (2005). A LIPO é um inventário composto de duas partes: uma avalia os
papéis ocupacionais no passado, presente e futuro, e a outra parte os qualifica como nenhuma,
alguma ou muita importância. Os dados obtidos na entrevista estruturada foram submetidos a
estatística descritiva no que tange desvio padrão, média e frequência absoluta. Os dados da
LIPO foram organizados conforme orientação do instrumental em perda, ganho, continuidade,
mudança e ausência do papel ocupacional. Os resultados em relação a caracterização dos
participantes, mostram que dos onze, seis são do sexo masculino (55%) e cinco do feminino
(45%) com média de idade de idade de 27 anos. A maioria possui ensino médio (64%) e
deficiência intelectual (45%). Os cargos que ocupam exige entre ensino fundamental e médio.
Os resultados comparativos entre a etapa 1 e 2 obtidos através da LIPO apontam que a
aquisição de um novo papel ocupacional como o de Trabalhador exerce influência no
desempenho dos demais papéis. Resumidamente, revelou a manutenção e/ou ganho nos
papéis de serviço doméstico, amigo, membro familiar e passatempo. Também a diminuição
do papel de voluntário, cuidador, religioso e participante de organização, podendo ser
elucidada como um movimento para redirecionar prioridades. Quanto ao papel de estudante,
observa-se uma perda no presente e um aumento da intenção de tê-lo no futuro visto desejo de
crescimento profissional. Diante do exposto foi possível concluir que o trabalho oportuniza
desenvolvimento humano e que traz em si a necessidade de estabelecimento de novas
prioridades, portanto, impactando no desempenho dos demais papéis ocupacionais.
