MANOEL BOMFIM E AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO: DOIS INTÉRPRETES DO BRASIL EM UM ESTUDO COMPARADO
Palavras-chave:
Manoel Bomfim; Lima Barreto; Comparação; Interpretações do Brasil; Teorias racialistasResumo
O propósito deste trabalho é orientar e sistematizar as ideias que balizam o estudo comparado aqui proposto, entre o sergipano Manoel José do Bomfim (1868-1932) e o fluminense Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922). Buscarei perseguir os sentidos e intenções em suas Interpretações do Brasil para confrontá-las na busca de similaridades e distanciamentos entre os projetos de ambos os intelectuais, presentes nas suas interpretações. Na pesquisa comparada dos dois intelectuais, usaremos materiais já pesquisados sobre eles, além de autores que se aprofundaram na compreensão dos dilemas da Primeira Republica, nas interpretações do Brasil e, também, na questão das teorias racialistas, contra as quais Bomfim e Barreto lutaram. O objetivo central estabelecer é uma comparação entre Manoel Bomfim e Lima Barreto, sobretudo em torno da maneira como ambos interpretaram o Brasil em relação às Questões Étnico-raciais. Em outras palavras, nos interessa compreender como ambos os intelectuais, em suas produções, interpretaram o Brasil por outra chave, que não a determinista racial. Para executar esta tarefa, a orientação teórico-metodológica propositiva desta investigação se dará por meio da Crítica Integradora como central no modo de investigação, conjuntamente com a noção de Genialidade. O método principal a ser empregado nesta pesquisa é do Estudo Comparado, que, de certo modo, possibilita-nos confrontar, igualar, equiparar as narrativas sobre o Brasil de Manoel Bomfim e Lima Barreto, a fim de conhecer as diferenças e semelhanças, as aproximações e os distanciamentos nos seus postulados. O raciocínio comparativo permite a descoberta de regularidades, deslocamentos e transformações, assim como construir modelos e tipologias, identificar continuidades e descontinuidades. Portanto, a operacionalização do método comparado permite, por assim dizer, explicitar as determinações mais gerais que regem certos fenômenos sociais. Sinteticamente, a comparação é um processo de perceber as diferenças e semelhanças e de assumir valores nessa relação de mútuo reconhecimento. Trata-se, portanto, de entender o outro a partir dele mesmo e, também, por exclusão, se perceber na diferença. Portanto, nos auxiliará na investigação cujo caminho primeiro é compreender como Bomfim e Barreto se apropriaram do debate “biológico-social” e construíram suas respostas frente ao mesmo problema. Neste sentido, o estudo comparativo apresenta-se como um instrumento importante de conhecimento e de análise dos objetos propostos neste trabalho. Resultados parciais indicam a presença de inúmeras similaridades entre os intelectuais que, até o momento, não sabemos se chegaram a se conhecer ou se leram um sobre o outro. Com base nas pesquisas em andamento, podemos ter a conclusão parcial de que ambos desvelam parte importante da nossa história, lutando pela inserção do negro no processo modernizador e apontando que o crescimento do país só viria com essa completa integração social.
