ESCRITA DE SI COMO PRÁTICA EDUCATIVA: CUIDADO DE SI, HYPOMNEMATA E RESISTÊNCIA BIOPOLÍTICA NOS DIÁRIOS DE LIMA BARRETO E CAROLINA MARIA DE JESUS
Palavras-chave:
escrita de si; cuidado de si; biopolítica; hypomnemata; história da educação.Resumo
Os diários de Lima Barreto e Carolina Maria de Jesus, produzidos sob internamento psiquiátrico e extrema precariedade material, constituem objeto privilegiado para a filosofia e a história da educação, pois a escrita diarística funciona como técnica de constituição de si irredutível à instrução formal. Retomando a noção foucaultiana de hypomnemata, entendida
não como auxiliar de memória, mas como operador etopoiético capaz de transformar discurso recebidos em princípios de conduta (FOUCAULT, 1992), propõe-se pensar o cuidado de si como categoria educativa (CARVALHO, 2010; FREITAS, 2010) exercida à margem, e por vezes contra, os dispositivos escolares. O objetivo é examinar como a escrita, enquanto ascese (askesis) cotidiana, produz um sujeito ético em contextos de sujeição biopolítica, dialogando com a história das emoções e com a analítica foucaultiana do biopoder aplicada a instituições disciplinares (hospício e favela).
