PROFESSORA SIM, TIA NÃO: REFLEXÕES SOBRE A FEMINIZAÇÃO DA PROFISSÃO DOCENTE

Autores

  • FERNANDA GOMES Autor

Palavras-chave:

Feminização do magistério; Paulo Freire; Professora sim, Tia não; Profissão docente.

Resumo

O presente trabalho constitui-se de uma reflexão da atividade laboral docente de mulheres brasileiras atuantes na Educação Básica, possibilitando compreensões, a partir da metodologia de cunho bibliográfico, sobre as relações dos gêneros e suas intersecções, fazendo uma relação com a breve análise da obra de Paulo Freire: “Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar”, de  Os resultados se constroem na  compreensão da ocupação da mulher nesse contexto através da sua intencionalidade nata do cuidar e do maternar, portanto, bem-vista no ambiente escolar para cuidar das crianças Conclui-se que as escolas brasileiras devem valorizar o título de “professora” para as docentes mulheres, a fim de não ficar subentendido pelo termo “tia” que as mesmas realizam essa profissão por amor e sim pelas profissionais que são. Foi no século XIX que as mulheres tiveram a possibilidade de entrar na profissão docente e ampliar suas possibilidades no mercado de trabalho ou ao casamento. Entretanto, Michael Apple (1988), considera que a prática docente “um processo de trabalho articulado às mudanças, ao longo do tempo, na divisão sexual do trabalho e nas relçaões patriarcais e de classe”. Com isso, vemos que os ocupados pelas mulheres possa sofrer uma desqualificação, sendo essa uma prática de lógica capitalista, que seria implantado posteriormente.A feminização do magistério ocorreu no Brasil no final do século XIX, quando houve uma expansão de oferta do ensino. Portanto, os homens que não se dedicavam somente ao magistério, mas sim continuavam com suas profissões de primeira escolha, foram dando espaço para que as mulheres ocupassem a docência.Segundo Louro (1997) e Almeida (1998) além das questões culturais de uma época que as mulheres eram preparadas para o casamento, o magistério de crianças entrou como uma alternativa de profissão que lher traria um prestígio maior perante a sociedade da época, e ao mesmo tempo permitisse conciliar com a vida doméstica. Desse modo, pode-se afirmar que historicamente a profissão docente foi desvalorizada e até os dias de hoje vemos isso refletido em nossa realidade. Tanto no sentido de salários e cargos de chefia, conforme alude Demartini (1996) quanto no reconhecimento social, a profissão docente ainda precisa sempre ser colocada em pauta para que a sociedade valorize e respeito o lugar do professor.Sendo assim, todas essas discussões podem estar ligadas a leitura da obra de Paulo Freire exposta anteriormente, no qual a professora faz o papel de “tia” de seus alunos, sendo que uma tia não abandonaria os seus “sobrinhos” para protestar por melhores condições de trabalho, sempre demonstrando uma profissional passiva e autômata. 

Publicado

2026-04-27

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