LEITURA, O ATO DE LER E AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: UMA PRÁTICA SOCIAL E CULTURAL

Autores

  • PATRÍCIA MOREIRA SALINA FERNANDES PIMENTEL Autor

Palavras-chave:

Leitura; Práticas Sociais; Formação Humana

Resumo

Inicio meu relato com a intenção de trazer reflexões resultantes das discussões, partilhas vivenciadas e temáticas abordadas durante os encontros realizados e as trocas entre a professora e os colegas que estiverem comigo, no segundo semestre do ano de 2024, em uma disciplina, oferecida pela Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) de uma Universidade Estadual de uma cidade do interior do Estado de São Paulo, ministrada por uma professora doutora do programa.

A disciplina se apoiou nos teóricos e suas obras para promover reflexões e discussões, Chartier (2002), Barbosa (1998), de Barbosa, Catani e Moraes (2015), Barbosa (2001), Silva e Ferreira (2011) Chartier (2016).

Ao refletir sobre o que trazer para esse relato destaco a importância em se pensar a leitura e o ato de ler como prática social e cultural e como formação humana, e como as representações e práticas sociais são fundamentais para a compreensão e aprendizagem da leitura, os atos de ler.

É importante considerar as práticas culturais e o movimento histórico das necessidades humanas para pensar as diversas linguagens e as línguas outras que permeiam entre a humanidade e as sociedades.

Pensar em cultura em diferentes formas, estruturas diversas, perpassando os grupos sociais de poder para as relações e para as representações são aspectos fundamentais. A história se modifica, e nesse movimento histórico, acontece novos eventos, segundo Chartier (2002, p. 14)), “[...]as atitudes perante a vida e a morte, as crenças e os comportamentos religiosos, os sistemas de parentesco e as relações familiares, os rituais, as formas de sociabilidade, as modalidades de funcionamento escolar etc. [...], são novos objetos que se transformam.

A história cultural é transformada por esse movimento e é formada pelas representações e aos interesses do grupo que as constitui. Segundo Chartier (2002, p. 16-17):

 

A história cultural, tal como a entendemos, tem por principal objecto identificar o modo como diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é constituída, pensada, dada a ler. Uma tarefa desse tipo supõe vários caminhos. O primeiro diz respeito às classificações, divisões e delimitações que organizam a apreensão do mundo social como categorias fundamentais de percepção e de apreciação do real (Chartier, 2002, p. 16-17).

 

As relações e representações sociais, as lutas sociais, tomam uma posição e apoiam um discurso que é contrário a eles mesmo, os grupos sociais impõem um discurso, que muitas vezes nem percebem que o próprio discurso está enfraquecendo suas lutas e acabando com seus próprios direitos. Chartier (2002) afirma que,

As representações do mundo social assim construídas, embora aspirem à universalidade de um diagnóstico fundado na razão, são sempre determinadas pelos interesses de grupo que as forjam. Daí, para cada caso, o necessário relacionamento dos discursos proferidos com a posição de quem os utiliza.

 

Segundo Chatier (2002), é preciso romper com a hierarquização da própria estrutura social para que as posições e relações atribuídas a cada classe, grupo ou meio, para que as práticas reconheçam uma identidade social, de estar e pertencer ao mundo.

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Publicado

2026-04-29

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